segunda-feira, 1 de maio de 2017

Ser da Guarda é estar mais acima



Muitos advogam que não é importante nascer, crescer e viver na Guarda - quem não é de cá obviamente tem uns argumentos diferentes e pugnam por outro estatuto muito semelhante a ser se cá. Mas de facto nascer e crescer na Guarda é, ter o berço mais alto – e isso ninguém de fora pode aspirar.



Só quem em miúdo calcorreou as ruas desta cidade, brincou às escondidas nos buchos do José de Lemos e, depois de contar as moedas, foi comprar um Sepol à D. Emília Pepe; foi às festas da cidade no Parque com o palco sobre o lago; subiu da Duque de Bragança para a Pedro Álvares Cabral pelos prédios brancos; fez cabanas no Torreão; andou de bicicleta em São Vicente; jogou no Estádio da Cagalhota; correu na mata do Sanatório; só estes sabem deveras o que isso é e significa… Não porque fez tudo isso, mas porque fez com os de cá!

Ser de cá é por isso diferente! É um sentido de pertença que, só quem é de cá conhece! Hoje ter a capacidade de dizer que este era do Prolar, aquele das Lameirinhas, o outro era da Caixa, do Bomfim, da Estação, de São Vicente, é conhecer e pertencer na perfeição um mundo de vivências e interações que influenciam decerto um sentido de voto.

Ser de cá é ter gasto uns escudos no Lebasi, no Mónaco ou no antigo Taco Dourado com todos os outros que também são de cá. É ter bebido uns finos no Tony’s Bar, uns traçados na sala de trás da Tasca do Benfica, no Marfim Bar ou no Estrela do Bomfim, e ter saído às tantas da manhã do Vicent’s, do Canecão, do Zinco’s ou do Faz Festa! O importante? Não é ter estado lá, mas sim com quem esteve lá, que eram os de cá!


(http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2010/06/guarda-antiga-e-personalidades.html)

Ser de cá é ter conhecido a D. Sancho, o Pub Azul, o Passaradas, o Forno e a Picadily e ter estado lá com todo o universo da gente, gente de cá.

Ser de cá é conhecer o frio, é saber que os que são de fora são sempre melhor tratados, mas principalmente é ter o prazer de voltar sempre que estamos fora!

Ser de cá é criticar cá dentro o que por cá vai mal e defender com unhas e dentes lá fora a sua austera cidade e o seu concelho que mais vezes repele do que chama.

É ter estudado na Escola Industrial, ou no Liceu, ou no Rocha, ou no Outeiro e aí conhecer os que nos são próximos territorialmente como a rapaziada da Aldeia Viçosa, de Valhelhas, do Soito, da Aldeia da Ponte, do Safurdão, do Manigoto, de Frexes, do Cadafaz, de entre muitas outras freguesias, e que ainda hoje temos como grandes amigos, amizades que feitas nesse tempo perduram conjuntamente com muitos de cá!

Ser da Guarda é conhecer Texas, o Côdeas ou as Lurdinhas; é saber que o melhor marisco era o do Zé Gordo, os melhores finos os do ti João e que as melhores tostas mistas eram as do Pólo Norte. Mas não é saber só por saber. É saber porque aí viveu e partilhou momentos com gente de cá.

Ser da Guarda é ter tido o Prof. Tó-Zé ou o Padre Romana a português, ou o “barriga de erva” a matemática, ou o Ambrósio a história, ou o “charruas” a mecanotecnia, ou a Palmira bochechas a geografia. É ter conhecido a vara de bambu da D. Odete ou o sotaque inconfundível da “madame”. Quem não é de cá pode discutir o que ouviu, nunca o que viu ou viveu com aqueles que são efectivamente de cá…

Ser da Guarda é ter conhecido o Pepe atrás do balcão do Mondego, o ti Ismael no Monteneve, o ti Zé Reduto ou o Sr. Paula na Black, a D. Sissi no Convívio, o “vê-de-noite” nas lameirinhas ou a Ramoni no Eguzky… Não porque sejam personagens interessantes (que efectivamente são), mas sim porque também lá estavam os de cá!

Ser de cá é ter visto nascer e crescer os bairros periféricos na Quinta do Padre, na Quinta do Borrego, na Quinta dos Castelos, crescer a estação ao longo da Av. de São Miguel, crescer as Lameirinhas. Sim, porque a Guarda cresceu ao longo das ultimas décadas ao contrário do que muitos dizem (porque não viram, porque não são de cá)…

Ser de cá é ter conhecido a antiga praça, ter visto nascer o IEFP, a câmara, o IPJ e o IPG e saber e conhecer a quem é que a Guarda deve essas obras. Ser de cá é lembrar-se do crescimento da nossa terra como se de um filha se tratasse…

Ser da Guarda é ter conhecido o Tarzan, o Marco Paulo, o Estuda, o Zequinha e o Kadafi; loucos? Sim! Mas os de cá sabem quem eles eram…
É ter visto o padre Abreu a abrilhantar os bailes de São Vicente e ter comido as sardinhas no São João das Lameirinhas desde os seus primórdios. É lembrar-se da Coia ou da Malaca a vender sacos, meias ou pensos à porta da praça que estava voltada para os Tracanas… É ter frequentado o Grémio Egitaniense, os bailes do Bomfim ou do Bairro da Caixa…

Ser da Guarda é ter comprado pão na Yoplait ou na Véritas e ser o primeiro cliente da viúva nas arcadas ou da Orquídea…

Ser da Guarda é ter sido tratado pela Dr.ª Susana, pelo Dr. Baieta, pelo Dr. Martins das Neves ou pelo Dr. Raul (este último “o pai” que até passava uns atestados para os mais novos não chumbarem por faltas)…

Ser de cá não é só sentir a cidade como muitos defendem, é ter respirado o ar da Dorna (sem a Av. Sá Carneiro) olhando para a estrada cuja aldeia mais próxima era o Cubo; é saber que ao cimo da Vasco Borges, para lá do Magistério quase nada havia; é ter conhecido o Quintal Medroso e lá ter feito equilibrismo nas vigas queimadas do solar, e com quem? É lembrar-se que a Guarda acabava na Ti Jaquina e que para ir à estação tinha quase um deserto de campos e hortas pela frente com passagem por um pequeno conjunto de casas que era a Póvoa do Mileu. Com os outros de cá que votam e que se lembram de tudo isso!

Ser de cá é ter visto o Ardérius passar de padre a Doutor, a Marília e o Raimundo perseguidos, o Curto ir dentro, o Carvalhinho a ir de fiscal da praça a Vereador e mais tarde a doutor, juntamente com o Cabral e com o Armando.

Ser de cá era proteger os nossos! Primeiro os nossos amigos, depois os do nosso bairro e depois proteger os da nossa cidade. E ai daqueles que vinham de fora para fazer merda! Caiam-lhes todos em cima, fossem de que zona da cidade fossem… Porquê? Porque se metiam com os de cá!

Depois as terras…

A terra para onde o colega de carteira ia ao fim de semana ver os avós. A terra para onde convidávamos os amigos a ir às festas e arraiais, às vindimas, às matanças… A quantidade de interações, vivências, laços e relações que foram criados e que jamais alguém que não é de cá pode contar ou replicar.

Ser de cá, não é apenas viver cá (a não ser que seja desde tenra idade), nem sequer vir cá!

Para se ser de cá, tem que se conhecer as pessoas, as suas interacções, as suas vivências, e as pequenas histórias da nossa cidade! Perceber o porquê das coisas e dos acontecimentos. Conhecer as ânsias e as vontades, os sonhos e as verdades de pessoas que apesar do frio têm o coração a ferver.

Por isso, ser da Guarda é estar, viver e respirar a cidade a 1056 metros de altitude desde a nascença. Conhecer becos e vielas, conhecer o povo e a gente desta terra. É estar e ser mais acima!

Venha quem vier, de perto ou de longe, jamais alguém estará à altura de quem nasceu, viveu e vive na Guarda!
 

domingo, 23 de abril de 2017

Novo blog no Burgo1056

Porque não somos egoistas, porque gostamos de divulgar e porque gostámos da escrita divulgamos e parabenizamos o aparecimento de um novo blog.


https://pelonaventa.wordpress.com/

CDS PP apresenta candidatura ao Burgo1056



Como não poderia deixar de ser, e depois de ter sido chiclete(1) de Amaro – segundo o que afirmam alguns mentirosos - o CDS apresenta uma candidatura forte.



Disse-nos um mentiroso (por isso não acreditem) que o cabeça de lista à autarquia do Burgo1056 é Carlos Adaixo.




Segundo nos informaram Carlos Adaixo é filho da cidade, professor de profissão no Agrupamento de Escolas de Pinhel), artista plástico e escritor, cujo mais recente livro é o romance Bairro da Caixa. É também cronista num dos mais prestigiados e isentos órgãos de comunicação social da região.

A lisura, a clareza de discurso, e em simultâneo a frontalidade de Carlos Adaixo poderão ser sinónimo de pouco descanso para o atual edil & associdados.

Se por um lado há militantes do PSD que se sentem esquecidos, afastados e alguns até mesmo perseguidos pelo edil do Burgo 1056 que tem preferido abraçar socialistas e ex-independentes; do lado do PS surgem novos rostos vindos dos “animais” cuja petulância e falta de chá está a afastar muitos militantes que até hoje resistiam com a bandeira do punho na mão (e se assim não é, é porque nos mentiram).

Todos estes militantes e simpatizantes, se forem bem “pescados à linha” (associando os universos dos seus familiares e amigos) poderão fazer a diferença no resultado eleitoral do próximo dia 01 de Outubro.

Se somarmos a estas leituras o facto de Carlos Adaixo ser um filho da Guarda, ter o apoio de “expert’s” nas lides políticas que já lutaram ao lado dos partidos o arco do poder, poderá ser uma surpresa no resultado eleitoral uma vez que estes conhecem bem as virtudes e os defeitos de cada militante, conhecem bem o território e as suas gentes - ao contrário do PS e do PSD que andam a navegar às escuras pelas juntas de freguesia e pelo povo do burgo.

Um concelho que um bêbado deixou no ar é que Adaxo deverá ter um discurso simples e pragmático, orientado para aquilo que o Burgo1056 precisa de facto (empresas, emprego, gente nova) e sem medo de arrombar com o ego do edil.

Outro mais ébrio ainda disse que deverá gerir a lista com luvas de pelica e ser o mais abrangente possível galvanizando independentes e gente dos mais diversos quadrantes partidários.

O mais embriagado deles todos sugeriu também fortes apostas na lista à autarquia, nas primeiras 10 pessoas da assembleia municipal e um focus-point nas freguesias mais populosas, destacando a freguesia da Guarda como alvo primordial que deverá ser preenchida por filhos da terra, populares e inconformados com o actual regime.

Verdade? Mentira? Más línguas? Bêbados? Hater’s? Assim-assim? Pela nossa parte o conselho é não acreditarem em nada…

1 – Chiclete: tema musical celebrizado pelo grupo de rock português Táxi no inicio da década de 80 cujo refrão era “…prova, mastiga, deita fora…” :-P